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Cantagalo abre o Ano Nacional de Euclides da Cunha

Anabelle Loivos Considera fala sobre o projeto 100 Anos sem EuclidesCom participação de representantes de diversos segmentos da sociedade, incluindo intelectuais, autoridades, poetas, ícones da cultura fluminense e a população em geral, Cantagalo abriu, sábado passado, 31 de janeiro, o 'Ano Nacional de Euclides da Cunha', num evento cívico-cultural realizado na Praça João XXIII, no Centro, em frente ao busto do escritor. A solenidade foi promovida através de uma parceria que contou com participação da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, da Fundação de Artes do Estado do Rio (Funarj), da Casa de Euclides da Cunha, da Câmara Municipal, da Prefeitura de Cantagalo e do projeto '100 Anos Sem Euclides', que está preparando uma série de atividades culturais para marcar o Luiz Fernando Conde Sangenis comanda a cerimônia em Cantagalocentenário de morte do escritor, nascido em Cantagalo, em 20 de janeiro de 1866, e morto em 15 de agosto de 1909.

Após vários discursos enaltecendo a figura de Euclides da Cunha, a diretora da Casa de Euclides da Cunha, Fanny Teixeira Abrahim, depositou um buquê de flores em frente ao busto. Poetas e trovadores cantagalenses declamaram em homenagem ao escritor e anunciaram que este ano o Festival de Poesias e os Jogos Florais terão o escritor como tema. Os Jogos Florais, por exemplo, que é um evento de concorrência internacional, levará o tema Euclides da Cunha para todos os países de língua portuguesa.

Presidente das academias Cantagalense e Fluminense de LetrasO evento foi comandado pelo professor doutor Luiz Fernando Conde Sangenis, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e pela professora doutora Anabelle Loivos Consídera, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e também contou com a participação de Edmo Rodrigues Lutterbach (veja o discurso),  presidente das academias Cantagalense e Fluminense de Letras; do pesquisador Clélio Erthal; representantes da família do escritor; da secretária municipal de Educação e Cultura, Fernanda Torres; do presidente da Câmara Municipal, Ciro Fernandes (PR); do vice-prefeito Jorge Farah (PPS), entre outros.

No encerramento, a cidade recebeu show gratuito da Orquestra de Violinos Cartola Petrobrás, do Centro Cultural Cartola, da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, do Rio de Janeiro.


Ano de Euclides instituído em projeto apresentado na Câmara dos Deputados

Depois de Machado de Assis, 2009 será o ano para o Brasil lembrar os 100 anos da morte de Euclides da Cunha. O deputado federal Marcelo Almeida (PMDB-PR), presidente da Frente Parlamentar Mista da Leitura, apresentou projeto de lei na Câmara dos Deputados, em Brasília, instituindo o ano de 2009 como 'Ano Nacional Euclides da Cunha', em celebração ao centenário de morte do escritor. O projeto determina que a coordenação das atividades relacionadas às comemorações ficará a cargo do Ministério da Cultura e também autoriza à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos a emitir selo comemorativo em homenagem à data.

Já o projeto '100 Anos sem Euclides', lançado em abril do ano passado em Cantagalo, é uma parceria entre a UFRJ e a Uerj e tem por objetivo estabelecer uma rede contatos entre leitores e pesquisadores da obra de Euclides da Cunha nos âmbitos da escola e dos aparelhos culturais. A ideia é dar corpo a uma série de atividades artísticas, culturais, acadêmicas, educativas e afins direcionadas a diversos segmentos da sociedade local, nacional e internacional.

De acordo com o Grupo Euclidiano de Atividades Culturais (Geac), de Cantagalo, o projeto está reunindo diversos parceiros, tanto pessoas físicas quanto jurídicas, e ainda está na fase de captação de recursos através da chamada 'Lei Rouanet' de incentivo à cultura. A meta é conseguir mobilizar a sociedade e o poder público para a execução de um processo de permanente discussão e atualização dos referenciais críticos, culturais e literários plantados na escrita euclidiana.

O projeto '100 Anos sem Euclides' quer que os eventos do centenário de morte do escritor, autor de várias obras, como 'Os Sertões', sirvam para uma reavaliação das condições estruturais e sociopolíticas do Brasil, tantas vezes retratadas em suas obras.


Petrobrás doa livros para a Casa de Euclides da Cunha

Entrega simbólica de livros à diretora da Casa Euclides da CunhaA Petrobrás, em parceria com o projeto '100 Anos sem Euclides' fez a doação de mais de 100 livros para a biblioteca da Casa de Euclides da Cunha, em Cantagalo. Segundo Luiz Fernando Conde Sangenis, trata-se de obras patrocinadas pela Petrobrás nas áreas de história, música, Artes plásticas e muitas outras de interesse cultural.

A entrega simbólica foi feita à diretora da Casa, Fanny Teixeira Abrahim, durante a solenidade de lançamento do 'Ano Nacional de Euclides da Cunha.' Segundo ela, todos os livros ficarão à disposição da comunidade de Cantagalo para pesquisa e leitura.


Culminância do projeto será um seminário internacional em setembro

A maior ousadia do projeto '100 Anos sem Euclides' será a realização, em setembro, de um seminário internacional sobre vida e obra de Euclides da Cunha. A iniciativa conta com participação do Instituto de Lógica, Filosofia e Teoria da Ciência, da Funarj (através da Casa de Euclides da Cunha), da UFRJ, da Uerj e do Instituto Cultural Oswaldo Galotti, de São José do Rio Pardo (SP).

Para o seminário, segundo Anabelle Loivos Consídera, já estão confirmados vários intelectuais e ícones das culturas fluminense e brasileira, além de pesquisadores de renome nacional e internacional. Segundo ela, "todo esse movimento em torno do centenário de morte de Euclides da Cunha eleva Cantagalo à categoria de cidade-memória, em que se dará um momento único de democratização e acesso a bens culturais para as populações que estão fora dos grandes centros urbanos e, muitas vezes, acabam excluídas do sagrado direito à fruição dos diversos canais culturais."

É aí que entra outro ponto fundamental do projeto, na opinião da secretária de Educação e Cultura de Cantagalo, Fernanda Torres: a capacitação de professoras das redes pública e privada.

Em parceria com a Coordenadoria Serrana I, o projeto '100 Anos sem Euclides promoveu o curso de extensão 'Letras Verdes em Euclides da Cunha.' Direcionado a professores das escolas públicas e particulares de Cantagalo, Cordeiro e Macuco, o curso teve duração total de 20 horas de atividades, com o objetivo de analisar os escritos amazônicos de Euclides da Cunha, um dos aspectos menos enfatizados nas interpretações sobre a obra do escritor cantagalense.

As aulas contaram com participação de 40 professores de diversas escolas da região, que conheceram e discutiram fontes histórico-literárias sobre Canudos (BA) e fatos sobre a belle-époque amazônica e a carioca. Foi ressaltada a presença de Euclides da Cunha neste cenário cultural, descrevendo com sua paixão peculiar e seu rigor científico tanto o sertão quanto a selva.

Uma das mais importantes ações desta fase do projeto foi o oferecimento de atividades de formação continuada para que esses profissionais de educação sejam multiplicadores da obra euclidiana junto aos alunos das escolas de educação básica. O curso também enfatizou leituras comparadas de trechos de 'À Margem da História', 'Peru versus Bolívia' e 'Contrastes e Confrontos', os trabalhos da fase amazônica de Euclides da Cunha. Os professores que participaram do curso tiveram acesso a materiais didáticos sobre o tema e dicas para sua utilização em sala de aula. São vídeos, fotos, músicas e outros meios que dinamizam a linguagem euclidiana, para torná-la mais acessível aos estudantes dos ensinos fundamental e médio.

O curso foi certificado pela Faculdade de Educação da UFRJ, e os professores participantes da primeira etapa foram convidados a integrarem o projeto '100 Anos sem Euclides', como multiplicadores dos conhecimentos adquiridos em suas escolas de origem.


Fonte: Website da Prefeitura Municipal de Cantagalo

Fotos: Gilmar Marques

 

 

 

 

 

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